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O Poema
O poema não é o canto
que do grilo para a rosa cresce. O poema é o grilo é a rosa e é aquilo que cresce.
É o
pensamento que exclui
uma determinação na fonte donde ele flui e naquilo que descreve. O poema é o que no homem para lá do homem se atreve.
Os
acontecimentos são pedras
e a poesia transcendê-las na já longínqua noção de descrevê-las.
E essa
própria noção é só
uma saudade que se desvanece na poesia. Pura intenção de cantar o que não conhece.
Natália
Correia
in ‘Poemas
(1955)’
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Quem?
Não sei quem és. Já não te vejo bem...
E ouço-me dizer (ai, tanta vez!...) Sonho que um outro sonho me desfez? Fantasma de que amor? Sombra de quem?
Névoa? Quimera? Fumo? Donde vem?...
- Não sei se tu, amor, assim me vês!... Nossos olhos não são nossos, talvez... Assim, tu não és tu! Não és ninguém!...
És tudo e não és nada... És a desgraça...
És quem nem sequer vejo; és um que passa... És sorriso de Deus que não mereço...
És aquele que
vive e que morreu...
És aquele que é quase um outro eu... És aquele que nem sequer conheço...
Florbela Espanca
in ' A Mensageira das Violetas '
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quarta-feira, 8 de março de 2017
Em março... Poesia
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